Confira a entrevista de Dr. Reginaldo Filho para grande Portal de Notícias Chinês, sobre o avanço da Medicina Chinesa no Brasil.

Tradução do texto original em chinês do Serviço de Notícias da China, por Lin Chunyin, confira o original, clique aqui.

Recentemente, a Faculdade EBRAMEC foi destaque em um grande portal de notícias chinês, representado pelo Diretor Geral, Dr. Reginaldo Filho, pelas por nossas contribuições pioneiras na promoção e integração da Medicina Chinesa no Brasil.

Dr. Reginaldo foi entrevistado pelo portal Serviço de Notícias da China, através da reporter Lin Chunyin. A entrevista fez parte do caderno “East-West Questions”, do China News Service. 

Confira abaixo a notícia traduzida:

Regis: Diálogo Entre Civilizações Oriente-Ocidente: A Necessidade da Medicina Chinesa

“Promover a Medicina Chinesa significa difundir a cultura chinesa, permitindo que o mundo compreenda mais profundamente a sabedoria por trás desta antiga prática médica.”

Como pioneiro do ensino da MTC no Brasil, Reginaldo de Carvalho Silva Filho, presidente da Escola Brasileira de Medicina Chinesa (Faculdade EBRAMEC), visitou recentemente a China novamente. Antes de partir, Regis aceitou uma entrevista exclusiva ao programa “East-West Questions”, do China News Service, apresentando sua experiência na promoção da medicina chinesa no Brasil.

A seguir, um resumo da transcrição da entrevista:

 

Repórter do China News Service: O que te motivou ao abandonar a Faculdade de Direito e se tornar um defensor da Medicina Chinesa?

Dr. Reginaldo Filho:

: Minha relação com a Medicina Chinesa começou com uma gastrite. Em 1999, eu estava estudando direito e estava prestes a me formar, comecei sentir um grande desconforto devido a gastrite grave. A Medicina Ocidental transformou meu estômago em um laboratório químico, mas a dor de estômago persistiu. Foi somente quando meu professor de artes marciais me levou para fazer Acupuntura que minha condição começou a melhorar.
O calor do recipiente de vidro com ventosas movendo-se em minhas costas e a vibração sutil da agulha ao entrar nos pontos de acupuntura foram simplesmente minha primeira experiência com Medicina Chinesa. Surpreendentemente, depois de apenas um ciclo de tratamento, meus sintomas desapareceram completamente. Isso também desencadeou uma reflexão profunda: Quais são os princípios da medicina chinesa? Por que uma dor de cabeça pode ser tratada tratando os pés?

 

Com essas questões em mente, comprei meu primeiro livro de medicina chinesa – a versão em português do “Huangdi Neijing”. Decidi colocar meus estudos em espera e entrar no mundo da Medicina Chinesa.
No entanto, minha família não apoiou minha mudança de carreira naquela época. Afinal, no Brasil, advogados e juízes são profissões muito respeitadas, a “Medicina Chinesa” não era muito conhecida na época e muitas pessoas não entenderam muito bem minha escolha.


Em 2001, fui à Universidade de Medicina Chinesa de Shandong e testemunhei a cena chocante de 400 estudantes recitando “O Juramento do Grande Médico” juntos. Hoje, a caligrafia “Harmonia entre o Homem e a Natureza” pendurada no meu escritório foi presenteada por meus colegas de classe em Shandong.


No final de fevereiro de 2025, visitei a China novamente. Esta foi a primeira vez que viajei com minha mãe e meu filho mais velho. Contei a eles como estudei e me tornei profissional na China. Também os apresentei à Universidade de Medicina Chinesa de Shandong, onde obtive meu doutorado em Medicina Chinesa e Acupuntura, o primeiro doutorado formado em Shandong em Medicina Chinesa e Acupuntura no Brasil.


Hoje, tenho me concentrado na Medicina Chinesa há mais de 25 anos. Acredito que os conceitos centrais da Medicina Chinesa se originam da antiga sabedoria chinesa e estão intimamente relacionados à cultura chinesa. Não é apenas o diagnóstico e o tratamento de doenças, mas também um conceito holístico e uma compreensão profunda da relação entre o homem e a natureza. Do Yin e Yang e os Cinco Movimentos ao Qi, Sangue e Canais e Colaterais, esses conceitos não apenas orientam os métodos de tratamento da Medina Chinesa, mas também refletem os pensamentos filosóficos da civilização chinesa.


Desde minha primeira visita à China, meu objetivo não foi apenas aprender o tratamento clínico, mas também divulgar e promover esta medicina antiga.

China News Service: Qual foi seu caminho para romper a barreira e estabelecer uma Faculdade de Medicina Chinesa?

 

Reginaldo:

: Há três momentos que podem delinear o desenvolvimento da medicina chinesa no Brasil: o início do século XIX, 1958 e 2016 — esses são marcos, respectivamente, para a introdução da medicina chinesa, a promoção e o estabelecimento de um sistema de ensino superior.


No início do século XIX, a medicina chinesa representada pela Acupuntura foi introduzida no Brasil pelos produtores de chá chineses. Em 1958, o professor Friedrich Spaeth, que veio de Luxemburgo e estudou na Alemanha, abriu o primeiro curso de formação livre em acupuntura e medicina chinesa no Brasil. Em 2016, após 15 anos como Escola, conseguimos aprovação do Ministério da Educação do Governo do Brasil para a conversão de escola para Faculdade e hoje somos a maior instituição de ensino de Medicina Chinesa do Brasil. A Primeira Faculdade de Medicina Chinesa do Brasil.


Nos últimos 20 anos, a compreensão da população brasileira sobre a medicina chinesa mudou gradualmente. Vinte anos atrás, os pacientes perguntavam: “A acupuntura pode transmitir AIDS?” Agora alguns perguntarão proativamente: “Existe algum chá chinês que pode regular o Qi e o sangue?”


Essa mudança também é evidente no campo acadêmico. Nos últimos anos, as principais revistas médicas brasileiras têm incluído cada vez mais artigos relacionados à Medicina Chinesa.


Vale ressaltar que em 2019 a Medicina Chinesa no Brasil avançou ainda mais. O relevante “Projeto de Lei PL5983/2019” está atualmente sendo analisado pelo Senado Federal brasileiro. Quando aprovado, o Brasil se tornará mais um país da América Latina a reconhecer qualificações em Medicina Chinesa. O projeto de lei prevê qualificações profissionais: entre elas, o reconhecimento do título de graduado em Acupuntura conferido por Instituição de Ensino Superior autorizada ou reconhecida no Brasil, além do reconhecimento de certificados de pós-graduação em Acupuntura reconhecidos pelos respectivos comitês profissionais e a possibilidade de revalidação de formação internacional.


Em 14 de março de 2016, recebi a carta de aprovação do Ministério da Educação do Brasil. Eu estava esperando por esse documento há 15 anos.


Hoje a Faculdade EBRAMEC é a primeira Faculdade de Medicina Chinesa do Brasil, a Instituição conta atualmente com 1.523 alunos ativos, na maior estrutura dedicada ao tema no país e a Maior Biblioteca de Medicina Chinesa da América Latina, a BiblioMEC. A escola teve três cursos de graduação originais, autorizados pela primeira vez no Brasil: Acupuntura (3 anos, incluindo mais de 500 horas de estágio clínico), Fitoterapia Chinesa (3 anos) e Massoterapia Chinesa – Tui Ná (3 anos).


Também estabelecemos cooperação com universidades de medicina chinesa em Shandong, Shangai, Guangzhou, Jiangxi, Chengdu, Zhejiang, Guizhou, Tianjin e outros lugares, e assinamos acordos de treinamento conjunto. No outono de 2024, 50 estudantes brasileiros vieram para a Universidade de Medicina Chinesa de Shandong para um intercâmbio. 

Repórter do China News Service: Por que o diálogo entre as culturas orientais e ocidentais exige a “equação da medicina chinesa”?

 

Dr. Reginaldo Filho:

Brasil e China são países importantes na Medicina Chinesa, e há grande potencial para intercâmbios e cooperação no campo da medicina chinesa. Uma direção importante da cooperação é experimentar o cultivo de ervas e plantas chinesas comumente usados ​​no Brasil. Isso não só aumentará a disponibilidade de substâncias da Fitoterapia Chinesa, mas também reduzirá os custos de importação, facilitando a entrada da Medicina Chinesa no mercado brasileiro.


Também estamos explorando o uso da teoria da Medicina Chinesa para analisar e classificar os recursos vegetais nativos do Brasil, o que pode expandir o escopo do uso da Fitoterapia Chinesa e torná-lo mais localizada.


Utilizamos a teoria das quatro Naturezas e cinco Sabores para reinterpretar as plantas consideradas tesouro nacional do Brasil e estamos desenvolvendo planos de preparo adequados para climas tropicais.


O cerne da Medicina Chinesa está no conceito e no tratamento individualizado. Ela enfatiza o equilíbrio entre Yin e Yang e a unidade do homem e da natureza. Esses conceitos não são aplicáveis ​​apenas aos chineses, mas também podem ajudar a saúde de pessoas em todo o mundo.


Entretanto, a internacionalização da medicina chinesa não deve permanecer apenas no nível de promoção tecnológica, mas deve estar intimamente integrada à disseminação da cultura chinesa. Como sempre enfatizei, a Medicina Chinesa não pode ser entendida separadamente da cultura chinesa. Não é apenas um sistema médico , mas também uma filosofia, uma compreensão única da vida. Promover a medicina chinesa significa promover a cultura chinesa e permitir que o mundo tenha uma compreensão mais profunda da sabedoria por trás dessa medicina antiga.