Os mistérios da Acupuntura - FACULDADE EBRAMEC

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Os mistérios da Acupuntura

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A acupuntura, como todos sabem, é um tratamento milenar da medicina tradicional chinesa, baseado na estimulação do corpo com finas agulhas inseridas em pontos específicos. Esses pontos de estimulação não são aleatórios: formam um mapa de linhas chamadas meridianos.

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Como se originou há mais de 2 mil anos e se manteve até hoje, sua prática motiva considerável controvérsia à luz da ciência. É frequentemente utilizada no alívio de dores, e também em várias outras condições clínicas, mas não há consenso científico sobre sua eficácia, e muito menos sobre seus mecanismos de ação. Por isso mesmo, torna-se objeto de experimentos rigorosos, capazes de iluminar a acupuntura e quem sabe separar os seus contornos folclóricos, religiosos ou como queiram chamar, das evidências científicas de boa qualidade.

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A isso se propôs um grupo de pesquisadores chineses, que realizou um trabalho bastante esclarecedor, publicado há poucas semanas. O desafio que enfrentaram foi revelar os mecanismos pelos quais agulhas inseridas no acuponto chamado Zusanli, 2 cm abaixo do joelho, conseguem aliviar condições inflamatórias sistêmicas.

Exemplo dramático é o da sepse, uma das maiores causas de morte em hospitais (em torno de 11 milhões de pessoas por ano, segundo a OMS). De que modo a estimulação sensorial de um ponto na perna consegue repercutir no sistema imune de uma pessoa com inflamação generalizada?

O problema não é fácil. O sistema de meridianos não ajuda, porque não tem relação com a organização anatômica das fibras nervosas que conectam o corpo com o cérebro. A solução veio com o uso de modelos animais (camundongos), nos quais a estimulação elétrica (eletroacupuntura) no acuponto Zusanli conseguia aliviar o efeito inflamatório de toxinas bacterianas injetadas.

Os pesquisadores utilizaram técnicas moleculares para identificar os neurônios que fazem a ponte entre a perna, o cérebro e a glândula suprarrenal, imaginem. Regulando a intensidade da estimulação elétrica era possível alcançar as regiões mais profundas da pata dos animais, bem perto do nervo certo.

Descobriram que os neurônios sensoriais levam à medula espinhal a informação gerada pela agulha, e dela o alarme sobe até o cérebro, chegando a uma região de nome poético: núcleo do trato solitário. No circuito foram identificados neurônios de um subtipo molecular específico, que se comunicam com o nervo vago, cujas fibras vão direto à glândula suprarrenal. Resulta um chuveiro químico que segue pela circulação até o baço, inibindo a reprodução de células inflamatórias. Caminho tortuoso, mas eficaz.

No experimento, quando os neurônios desse circuito eram estimulados diretamente, tchau inflamação. Quando eram eliminados, a eletroacupuntura falhava e a inflamação se alastrava.

Quando acupontos diferentes eram usados, idem. Inclusive alguns que fariam mais sentido anatômico, situados no abdome. Finalmente, quando vários pontos eram estimulados ao mesmo tempo, prática corrente na acupuntura humana, resultado zero. Até a variação na intensidade de estimulação produzia diferenças, podendo causar efeitos colaterais. O trabalho permite separar o joio do trigo na acupuntura: a ciência revela o que funciona e o que não funciona, e por quê.

E vejam como são as coisas. A perspectiva agora, com a identificação precisa dos acupontos eficazes, dos estímulos certos e das vias neuroimunes envolvidas, é possível visualizar uma evolução automatizada da acupuntura. Ou seja: as tradicionais agulhinhas poderão ser substituídas por chips implantados sob a pele, capazes de manter o paciente sob estimulação persistente, até que a inflamação cesse. Menos sepse, menos mortes. Diretamente da medicina tradicional chinesa para a medicina bioeletrônica do futuro.

 

Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com/a-hora-da-ciencia/post/os-misterios-da-acupuntura.html

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